Resumo da Notícia
Contexto Geral
Autoridades russas intensificaram a censura na internet no último mês, impondo restrições ao Telegram, promovendo a migração de usuários para o aplicativo estatal MAX e ampliando bloqueios a ferramentas de contorno, enquanto fortalecem infraestruturas e bases legais para controle de tráfego e acesso online.
Principais Pontos
- Em 10 de fevereiro de 2026, usuários na Rússia relataram dificuldades de acesso ao Telegram; o Roskomnadzor confirmou “restrições graduais” por suposto descumprimento da legislação e a mídia russa reportou plano de bloqueio total em abril.
- Em agosto de 2025, o governo anunciou o bloqueio de chamadas via Telegram e WhatsApp como medida de prevenção a golpes e ações consideradas de sabotagem e terrorismo.
- Em 2018, o Roskomnadzor obteve decisão judicial para bloquear o Telegram sob lei de 2016 sobre entrega de chaves de criptografia; a proibição foi posteriormente levantada após tentativas malsucedidas de bloqueio. A agência afirmou que Pavel Durov concordou em cooperar no combate a terrorismo e extremismo.
- Pavel Durov enfrenta acusações criminais na Rússia de “auxílio a atividades terroristas” e declarou que o bloqueio atual do Telegram busca forçar a migração para um aplicativo estatal voltado a vigilância e censura política.
- O aplicativo MAX foi criado em março de 2025 pela VK (Vkontakte) e, em julho, foi designado como “mensageiro nacional multifuncional”, integrando mensagens, chamadas, serviços públicos e documentos digitais, além de funções como verificação de idade em marketplace.
- Em setembro, o governo determinou a pré-instalação do MAX em todos os smartphones e tablets vendidos no país; houve campanha de adoção com celebridades, migração obrigatória das comunicações de escolas e universidades para o app e coerção a associações habitacionais e serviços de manutenção, com ameaças de multas. Usuários relataram bloqueio de acesso ao portal estatal Gosuslugi sem o MAX instalado.
- Em fevereiro de 2026, o MAX alcançou 77,5 milhões de usuários mensais na Rússia; o Telegram registrou 95,7 milhões e o WhatsApp 80,3 milhões. Entre janeiro e fevereiro, Telegram e WhatsApp perderam, respectivamente, 280 mil e 9 milhões de usuários.
- Especialistas e usuários expressaram preocupações com a coleta de dados e as permissões do MAX; em março, especialistas apontaram que o app enviaria repetidas solicitações a domínios do WhatsApp e Telegram e possivelmente verificaria conexão via VPN. O MAX negou as alegações.
- Desde 2019, provedores de internet são obrigados a instalar equipamentos TSPU controlados pelo Estado, que permitem interceptar e manipular tráfego e realizar desligamentos de internet, inclusive durante protestos públicos ou ataques de drones do exército ucraniano.
- A lei da “internet soberana” inclui um sistema nacional de DNS paralelo; em fevereiro, especialistas notaram que domínios de ao menos 13 sites — incluindo YouTube, WhatsApp, Facebook, The Moscow Times e RFE/RL — desapareceram do registro nacional, fazendo com que pareçam inexistentes via DNS nacional.
- Em fevereiro de 2026, o Roskomnadzor confirmou o bloqueio de 469 serviços de VPN. Desde dezembro, as três principais tecnologias de VPN vêm sendo bloqueadas. Em janeiro de 2025, foi aplicada a primeira multa por publicidade de VPNs; desde setembro de 2025, usuários podem ser multados por buscas “intencionais” de conteúdo “extremista”, inclusive via VPNs.
- Em fevereiro, foram sancionadas emendas que permitem ao Serviço Federal de Segurança exigir de provedores o bloqueio total de internet e telefonia sem ordem judicial, com fundamentos definidos pelo presidente.
- A Human Rights Watch afirmou que houve escalada na censura e defendeu que regulações online tenham base legal, finalidade legítima e sejam necessárias e proporcionais, além de pedir transparência sobre ferramentas de coleta de dados e censura. A organização instou que outros países e entidades apoiem grupos que protegem o acesso à informação na Rússia, incluindo desenvolvedores de VPNs.
Informações Essenciais
O conteúdo descreve uma ampliação da censura online na Rússia, com restrições progressivas ao Telegram e previsão de bloqueio total, promoção e adoção forçada do aplicativo estatal MAX, crescimento de sua base de usuários e relatos de práticas de coleta de dados contestadas. Paralelamente, o Estado fortalece mecanismos técnicos e legais de controle — como TSPU, ajustes no DNS nacional e bloqueio de centenas de serviços e protocolos de VPN — e autoriza o bloqueio de conexões sem ordem judicial. Dados reportados indicam, em fevereiro de 2026, 95,7 milhões de usuários do Telegram, 80,3 milhões do WhatsApp e 77,5 milhões do MAX, com perdas recentes para os dois primeiros. A Human Rights Watch registrou preocupação e fez apelos por respeito à liberdade de expressão e por apoio internacional a iniciativas que preservem o acesso à informação.
Fonte: hrw.org