Resumo da Notícia
Contexto Geral
O conteúdo investiga e documenta o Webloc, um sistema de vigilância de geolocalização baseado em dados de aplicativos móveis e publicidade digital. Desenvolvido pela Cobwebs Technologies e atualmente vendido pela Penlink após fusão em 2023, o Webloc é descrito como parte de um mercado de “tecnologias de vigilância baseadas em publicidade”, com pouca regulação e transparência, e com preocupações explícitas de segurança, privacidade e liberdades civis.
Principais Pontos
- O Webloc é comercializado como complemento do sistema Tangles (inteligência em mídias sociais e web).
- Segundo documentos analisados, o Webloc fornece fluxo contínuo de registros de até 500 milhões de dispositivos móveis no mundo, incluindo identificadores de dispositivo, coordenadas de localização e dados de perfil coletados de apps e publicidade digital.
- O sistema permite monitorar localização, deslocamentos e características pessoais de populações inteiras por até três anos no passado; a análise baseia-se em documentos de 2021, 2022, 2023 e 2025.
- O ICE firmou contrato que permite acesso a dados de centenas de milhões de pessoas; em março de 2026, 72 membros do Congresso dos EUA pediram investigação sobre compras de dados de localização sem mandado por parte do ICE e outras agências.
- Há uso de vigilância baseada em publicidade por forças armadas, inteligência e agências policiais, incluindo unidades locais, em diversos países.
- Na Europa, confirma-se que a inteligência doméstica da Hungria usa o Webloc desde pelo menos 2022 e continua usando, sendo a primeira confirmação desse tipo de tecnologia no continente.
- A Polícia Nacional Civil de El Salvador adquiriu o Webloc em 2021.
- Nos EUA, clientes citados incluem as Forças Armadas, o ICE, o Departamento de Segurança Interna da Virgínia Ocidental, o Departamento de Segurança Pública do Texas, promotorias de distrito de Nova York e departamentos de polícia em Los Angeles, Dallas, Baltimore, Durham, Tucson, Condado de Pinal e Cidade de Elk Grove.
- Foram enviados 96 pedidos de liberdade de informação (FOI) a órgãos de aplicação da lei e polícias locais em 14 países europeus e a seis entidades da União Europeia; muitos foram rejeitados ou sem resposta.
- A Europol confirmou possuir informações relacionadas ao Webloc, mas se recusou a divulgá-las.
- O Home Office do Reino Unido e a Polícia da Suécia nem confirmaram nem negaram pedidos sobre o Webloc, afirmando não ter acesso a produtos de fornecedores semelhantes; ministérios da Áustria, Holanda e Romênia recusaram informar se usam o Webloc.
- Cinco departamentos de polícia do Reino Unido afirmaram não possuir informações sobre o Webloc; 39 nem confirmaram nem negaram.
- A polícia local de Veneza sediou treinamento do Webloc em 2022; militares israelenses receberam treinamento; um revendedor holandês promove o Webloc.
- Documentos com mapas indicam rastreamento em Alemanha, Áustria, Itália, Hungria, Romênia, Emirados Árabes Unidos, Israel, Cingapura e Rússia; o conteúdo sugere que mais pesquisas podem ser frutíferas em Holanda, México, Vietnã e Cingapura.
- A infraestrutura de servidores atribuída a Tangles, Webloc ou outros produtos da Cobwebs foi mapeada em EUA, Reino Unido, Israel, Holanda, Alemanha, Suécia, Noruega, Itália, França, Irlanda, Hungria, Polônia, Chipre, México, Colômbia, Brasil, Austrália, Japão, Cingapura, Hong Kong, Índia, Indonésia, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Quênia; não se sabe se as localizações dos servidores correspondem a clientes.
- Registros corporativos e informações públicas indicam ligação entre a Cobwebs e a fornecedora de spyware Quadream; o fundador e ex-presidente da Cobwebs, Omri Timianker, tem interesse indireto na Quadream, e um ex-executivo/investidor da Cobwebs é investidor-chave na Quadream.
- Relatório anterior indicou que o spyware da Quadream foi usado contra sociedade civil, jornalistas e opositores; a Quadream teria tentado vender ativos em 2023, com situação não esclarecida.
- Produtos adicionais da Cobwebs: Lynx (operações encobertas e gestão de contas falsas), com uso relatado nos EUA e em El Salvador; Trapdoor (plataforma de engenharia social) para criar páginas falsas, enviar links de phishing e potencialmente facilitar a instalação de malware.
- Possíveis servidores do Trapdoor foram identificados no Quênia, Indonésia, Cingapura, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e Japão; não há confirmação se Lynx e Trapdoor ainda são comercializados pela Penlink.
- Em resposta, a Penlink afirma, sem especificar, que o conteúdo descreve “produtos que não existem mais”.
- O Departamento de Segurança Interna dos EUA utilizou o Tangles para compilar dossiês sobre manifestantes, conforme relatório interno citado.
- Em 2021, a Meta baniu a Cobwebs de sua plataforma, mencionando atividades de engenharia social e direcionamento frequente de ativistas, políticos de oposição e autoridades; a Cobwebs contestou o relatório.
Informações Essenciais
O conteúdo descreve o Webloc como uma tecnologia de vigilância de geolocalização baseada em dados de apps e publicidade, com acesso a registros de até 500 milhões de dispositivos e capacidade de monitorar populações por até três anos. Detalha clientes, contratos e usos em vários países, incluindo confirmação de uso pela inteligência da Hungria, aquisição por El Salvador e ampla lista de órgãos nos EUA. Relata resultados de pedidos de informação na Europa, mapeamento de infraestrutura de servidores em múltiplos países e vínculos corporativos entre a Cobwebs e a Quadream. Apresenta ainda outros produtos da Cobwebs (Lynx e Trapdoor), alegações de uso do Tangles por órgão dos EUA e a proibição da Cobwebs pela Meta, além de posicionamentos de órgãos e empresas mencionados.
Fonte: citizenlab.ca